35
11/12/2010Quando eu era criança costumava ouvir sempre dos meus pais que eu deveria aproveitar melhor o meu tempo, por que, quando eu ficasse mais velho o tempo seria cada vez mais curto.
Nos últimos anos fiz reflexões pessoais, enfrentei conflitos, e percebi que compreendo o conselho de meus pais. O tempo está, de fato, passando cada vez mais rápido. Meus aniversários já não tem mais a importância de uma comemoração, como tinham antes. Ao invés, se tornaram marcos de revisões pessoais, de resoluções, de promessas, e de auto-avaliações.
Venho enxergando a vida mais e mais como um gigantesco turbilhão de acontecimentos, dos quais alguns posso prever e controlar, mas com uma quantidade muito grande de eventos que fogem do meu alcance.
Essa sensação de impotência mexe comigo.
Compreendo a impermanência, e tento conviver com ela todos os dias de minha vida.
E venho percebendo que, se por um lado não posso controlar o curso natural das coisas, por outro posso aproveitar o tempo que tenho, e tentar simplesmente não me preocupar tanto com o que pode ou não acontecer.
É difícil, mas é necessário.
Então, se eu posso aproveitar um único momento de felicidade, e se esse momento aparece para mim, preciso aproveitá-lo ao máximo, não importando o que seja. Ficar bêbado, dar um mergulho no mar, assistir uma partida de futebol, conversar com alguém querido, correr, fazer sexo, criar um desenho, respirar, rabiscar uma folha de papel em branco, fotografar um estranho, ler um gibi. Qualquer coisa que me mantenha ocupado. Qualquer coisa que me faça pensar, e que me faça querer cada vez mais fazer algo novo, de novo.
Por que se eu não fizer algo, não criar algo, não me sentir útil para o mundo ou para mim mesmo, então não existe mais nenhuma razão para nada.
E cá estou eu, hoje, completando 35 anos. Chegando à idade que sempre considerei como sendo a metade do tempo que eu naturalmente teria nesse mundo. Acompanhado de uma família maravilhosa e que eu amo muito. Com um emprego que pode até não ser aquele com o qual sonhei na minha infância ou adolecência, mas que me ajuda a sustentar minha família e meus caprichos pessoais.
Estou lutando, tentando construir algo todos os dias, e creio que eu esteja conseguindo, muito embora ainda não consiga enxergar.
Que venham mais 35 anos, e que eu consiga abrir meus olhos.

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