“Alô, mãe? O jasmim floriu?”
04/4/2008Na casa dos meus pais, ao lado da piscina, tem um jasmim.
Arbusto lindo e frondoso, alto e amplo, toma um bom espaço numa área que costuma-se usar para reuniões familiares e convescotes. E, por mais que ele pudesse abrir mais espaço nesta área de lazer, ninguém se atreve, sequer, a sugerir tamanho despautério.
A nudiflorum é parte da família, cheirosa que só ela!
Não sei se tem alguém aí que não conhece o cheiro do jasmim quando flora. É doce, forte, e consegue-se sentir de longe.
Pois este cheiro me acompanhou durante anos e anos enquanto vivi naquela casa, como garoto, correndo por aquele gramado no final da tarde, jogando bola com meu irmão e nadando na piscina. Como adolecente, chegando em casa de madrugada, vindo das primeiras noitadas, e sendo recebido pelo cheiro doce.
Não adianta. Jasmim é a cara daquela casa. É o cheiro da minha vida pré-adulta.
Daí que, há uns dias, desci do ônibus em Casa Caiada, indo jantar e dormir na casa dum tio meu. À primeira respirada, abriu-se o baú de lembranças. Alguns passos mais adiante, lá estava ele, com seus pequenos enfeitos branquinhos, saudando meu caminho.
Quarteirões adiante, o cheiro não diminuiu. Muito pelo contrário. Daí que viro a esquina, e lá tem outro, me esperando de novo. Mais adiante, mais um. E outro. E tive a impressão de que todas as casas e todos os quintais haviam combinado e conspirado comigo.
Bateu o banzo.
Corri pro primeiro orelhão e liguei pra casa.
Queixo trêmulo.
There are 6 comments in this article: