De frente pra trás
03/24/2008Cheguei em casa ontem, por volta das 20h, depois de um martírio de quase 5h dentro de um ônibus com o ar-condicionado funcionando, porém a embreagem não, e de 5h aguardando a possível liberação deste ônibus extra, já que todos os outros carros que fazem a viagem Natal-Recife estavam lotados.
O tempo correu lentamente regado a palavras-cruzadas, zapeadas efeêmicas, e dribles nos seguranças que teimavam em não me deixar dormir, de teimoso, nos bancos da rodoviária.
Cumprindo ordens, os escrotos contribuíram para a ressaca que estou sentindo agora, que é a pior do mundo, pois com ressaca sem álcool tu não tem nem bem em quem (hein?) jogar a culpa da sensação de asco que sentes do próprio corpo.
Horas antes eu estava parado numa parada na Engenheiro Roberto Freire esperando o 83 ou o Meia-Meia, no que pára, na mesma parada, um carro, de onde sai uma cabeça da janela recém-aberta, gritando, educadamente, um pedido de orientação pela saída para o Recife.
“Vai direto, sobe o viaduto, pega a faixa da esquerda, tira direto.”
“Obrigado! Bom dia!”
Mas não era pra onde eu ia?
Entonces que estala, lá no fundo da cabeça, o ódio me dá a leseira de uma criatura que acorda de madrugada depois de tomar 6 cervejas com um amigo.
Paguei pelo crime, então.
Seguranças escrotos, aqueles.
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