Finda mais um dia
04/25/2008Esperava um ônibus por volta das 18h de ontem, quando vi um cachorrinho saindo de dentro do Mercado da Madalena, correndo em direção a um saco de lixo que estava encostado num poste.
Animalzinho magro e sujo, mas longe de ser feio – muito pelo contrário – chegou junto do lixo e puxou um pedaço de qualquer coisa que não era comida e pôs-se a brincar, balançando a cabecinha para os lados, rosnando e abanando o rabinho.
Fui-me chegando perto com receio de que, por algum motivo, ele invadisse a rua e fosse atingido por algum veículo, e fiquei perto do poste de maneira que eu pudesse segurá-lo com meu pé, se ele desembestasse.
De longe, sentado em frente a uma das entradas do mercado, um porreiro observava a brincadeira do filhote, sentado sobre sua caixa de graxa, com uma carinha de admiração e um sorriso no rosto. Assobiou uma, duas vezes, o cãozinho levantou a cabeça, ergueu as orelhas. Terceiro assobio, o bicho correu pro engraxate fazendo festa, e foi recebido com um afago na cabeça.
Por alguns instantes os dois trocaram os carinhos e a atenção que lhes falta no dia-a-dia, mas logo o cachorrinho voltou para sua brincadeira, e o garoto se levantou, pegou seu ganha-pão e – duas crianças de rua – cada qual seguiu seu caminho.
Meu ônibus chegou. Eu segui o meu.
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