Grandes merda ser adevogado…

11/16/2007

O setor onde trabalho fica localizado no mesmo andar onde também está o núcleo de assessoria jurídica do banco. E, como todo núcleo de assessoria jurídica de qualquer empresa, além de haver estagiárias bonitinhas e de nariz empinado, há os dotôres adevogados.

Nunca consegui entender essa viagem de chamar advogado de “doutor”. Para mim, doutor é quem tem doutorado. Ponto. E em se tratando de nomenclaturas e pronomes de tratamento e graduação acadêmica, eu também sou bacharel, assim como eles. Portanto, não me sinto na obrigação de tratar ninguém por dotô adevogado, da mesma forma que não chamo fazendeiro de coroné. Ponto.

Daí que o banheiro do meu setor está em reformas e, quando precisamos cumprir a toilette, temos duas opções: ou subimos para o andar seguinte, onde todo mundo é legal e nos cumprimentam de igual pra igual, ou temos que atravessar a sala dos dotôres adevogados e usar o banheiro da realeza.

Daí que hoje bateu um dilurimento causado pela combinação explosiva sarrabulho-pitú gold-rapadura consumida em convescote devidamente realizado entre os companheiros de labuta em um botequim familiar cá perto, e o andar seguinte me pareceu muito longe, já que, quando o grosso e o delgado resolvem clamar justiça, ela há de ser feita de pronto, caso contrário, já se viu a desgraça.

Então lá me vou eu, pela primeira vez em vida, atravessando a sala real procurando o banheiro, mas a quantidade de portas era tão grande que eu tive que ser corajoso e cutucar o primeiro ombro empaletozado que encontrei pela frente.

Faço devidamente a conferência cara-crachá e capricho na boa educação.

“Boa tarde, Fulano, onde fica o b…”

Dr. Fulano, por favor. Pois não?”

Não consegui conter nem a gargalhada nem o flátulo que veio de brinde, hilariante tal e qual, e me recompuz em um milésimo de segundo, suficiente apenas para dizer:

“Nah… deixa prá lá, que eu me viro.”

A sorte foi ter achado a saída logo atrás da primeira maçaneta.

There are 16 comments in this article:

  1. 11/19/2007Judson Gurgel says:

    Essa onde de chamar médico e ‘adevogado’ de doutor é uma lei criada por Dom Pedro I que nunca foi revogada.
    Quanto a chamar de Dr, eu chamo o cara que faz serviço de banco aqui de Dr, algum ‘adevogado’ vai me processar por isso?

  2. 11/19/2007Disraelly says:

    Ei, imagine um veterinário rola-bosta, formado em uma universidade mais rola bosta ainda, preto, feio e que mora longe, sendo chamado de doutor?! É o djabo mermo… Acho melhor eu me calar se não vão me jogar pedras e serrar minha hemorróida com carrapixo. Concordo com você Tato, Doutor é pra quem tem doutorado!!!

  3. 11/20/2007Fawller says:

    Quem me dera um dia ostentar o título de Doutor, mas esse tratamento é também em decorrência da ignorância de alguns (maioria) que acham que quem termina a faculdade é doutor. Há de se respeitar, mas mais do que isso, reconhecer naqueles que efetivamente são DOUTORES o pronome que lhes é devido. Aos bacharéis (de qualquer profissão), claro, não irão repreender quem assim os chame, mas se auto-intitular é o cúmulo!

  4. 11/20/2007bony inoue says:

    Postei algo semelhante….isso deveria virar campanha!

  5. 11/20/2007claudio says:

    Caro doutor!!
    como já falaram é lei, criada na época de Dom Pedro, mas é lei… e como lei deve ser cumprida. Imagine vc que no seu serviço,atendendo um cliente, um marginal, ladrão, estrupador ou que seja, tá te pagando, particular e em seu consultorio, uma boa grana, por mais que não queira, a grana é alta, fica dificil recusar, se vc não tiver uma maneira de mater o respeito. Ou queria que ele te tratasse como: – Ô Tato! ou Dr Tato!lógico que em uma situação como esta que relatou é diferente, ou a sra sua esposa ou namorada tb vai ter que te chamar de Dr Tato. – Vai Dr Tato, assim mais forte….ahhhhhh. KKKKKK(brincadeira). na minha opinião a questão de ser chamado de Dr, depende da situação, independente de ter feito doutorado ou não(é lei).

  6. 11/22/2007bony inoue says:

    A lei, que foi revogada e era de D. Pedro II, não existe mais. Mas o hábito ficou.
    A lei contemplava bacharéis em direito, professores e médicos. Somente estes.
    É bom atentar, que na época não haviam outros cursos superiores no Brasil. Engenharia era para militares e artes, filosofias, jornalismo, etc não eram cursos superiores. Nem a odontologia tinha curso superior no Brasil!

  7. 11/29/2007Brito says:

    Acho ridículo um cara que se auto-denomina doutor fulado de tal… e pior ainda quem defende isso em público… RIDÍCULO!!! Doutor é quem tem doutorado!!! LÓGICO!!!

  8. 12/7/2007Andre says:

    eu acho q poderiamos nos preocupar com coisas mais importantes do que a arrogância de alguem…

    do mesmo jeito q tem gente c esse tipo de comportamento (de exigir ser chamado de Dr.)tem babaca pra todos os gostos, e em todos os lugares. Na internet ta cheio…

    precisa nem procurar muito…

  9. 02/2/2008Dr. Henrique says:

    Prezados,

    primeiro – a Lei 1.827/1827 não está revogada. Como tal, toda lei que não é revogada expressa ou tacitamente está em vigor, assim como o Código Comercial, mesmoq eu em desuso.

    segundo – o pronome de tratamento “Doutor” destinado aos advogados é lei federal e destina-se somento aos Bacharéis em Direito. Portanto Sr. Thiago, se és Bacharel em Direito, terá todo o direito de ser tratado como tal. Ademais, se conheces um pouco de história, assim como todos os colegas que destinaram um pouco do seu precioso tempo a este sítio, o Título Academico (aqui se fala em título acadêmico e não pronome de tratamento que é destinado aos Bacharéis em Direito) de Doutor foi criado para excelência em filosofia para quem obtivesse aprovação de sua tese perante uma banca especialisada. Portanto, não são todos os que defendem tese, como apregoado nos debates, que tem o Título Acadêmico de Doutor. O mesmo se vale para os PHD’s.

    terceiro – creio que um pouco de conhecimento, cultura e estudo da língua portuguesa não faz mal a ninguém.

    Att,
    Dr. Henrique

  10. 02/8/2008bony inoue says:

    Mané….

  11. 02/8/2008Disraelly says:

    Zé Ruela. Pronto. Fica melhor que Dr. Henrique. Vocês não acham?!

  12. 02/9/2008Fawller says:

    Dotô Henrique
    “[...]creio que um pouco de conhecimento, cultura e estudo da língua portuguesa não faz mal a ninguém.”
    Concordo Plenamente!
    Só preciso que, diante de tamanho conhecimento e domínio da língua portuguesa (pelo menos da forma como foi alardeado), tenhas a gentileza de explicar o significado de “[...]banca especialisada”(SIC)???

    De um outro “dotô”, Bel. em direito, especialista em direito constitucional, mestrando em direitos humanos e, quem sabe um dia, Doutor :P

  13. 04/6/2008Zé Rei says:

    Como Lei é para ser cumprida (artigo 3 do LICC), a Lei
    de 1827 que manda chamar advogado de Doutor tem que ser
    cumprida e é justo… Quem estuda Direito, antes das
    matérias técnicas estuda as propedêuticas importantíssimas para uma cultura geral, assim como História, Ciências Políticas, Filosofia 1 e 2, Sociologia 1 e 2, Psicologia, Antropologia, Português Jurídico 1 e 2, Introdução à História do Direito 1 e 2, Economia, entre outras. Por exemplo um médico pensa que
    pode dispensar o Português, o advogado não pode pensar
    isso. Além disso é obrigado a entender de tudo para
    pensar grande e com aquele entendimento de tudo. É lógico que por isso necessita da empáfia de Doutor. Além disso é a única profissão que se necessita acordar e colocar aquele terno bonito e cheiroso como se fosse para uma festa logo em seguida. Eu sou estudante de Direito, tenho 61 anos e vou advogar para quem não possa pagar advogado. Isso vou advogar de graça. Por isso é muito justo que pelo menos quem venha me procurar me chama de Doutor. Bem, meu nome é Zé Rei. Gostaria que o Brasil retornasse à monarquia que lançaria o meu nome como a maior propaganda Rei Zé (Zé Rei às avessas)…
    Se gostaram do meu bom humor não deixem de ler o meu livro das VANTAGENS, aquela Lei da Vantagem que todos os brasileiros conhecem, inteiramente grátis na Internet. Visite-me em http://www.zerei.cjb.net

  14. 05/19/2008Renato Cunha says:

    Todo médico/advogado é doutor, todo são-paulino é viado e todo palmeirense é porco. Todo corinthiano é maloqueiro, sofredor, e FIEL… e assim vai… Enquanto a gente fica aqui discutindo se esses merdas desses médicos que esquartejam as amantes e esses porras dessses advogados que levam maconha e celular para os presídios são doutores, o Brasil vai se dirigindo para o buraco, o buraco sem fim, onde doutores, maníacos, estupradores, corinthianos, padres, policiais, ficarão lado a lado, afundados na merda… “pelo menos para os palmeirenses não existirá incomodo.”
    Abraço a todos e fiquem com Deus (esse é doutor)

  15. 07/1/2008Yvson says:

    Hahahahahahahahaha tenho certeza de que isso é inveja, fulaninho ai é office boy e faz o curso de garçom no SENAC/SENAI e tinha o sonho de fazer Direito algum dia, mesmo sendo nessas faculdadezinhas de beira de esquina que tem por ai. Mas, falando em Advogados, a lei imperial que determina que sejam chamados de Doutores os bacharéis em Direito, não foi revogada, pois, nenhuma outra lei foi criada tratando do assunto, não há de se falar em “desuso” já que diariamente ela vem sendo utilizada, sempre que alguém chama um Advogado de Doutor.
    Ademais, nós Advogados defendemos teses quase todos os dias, teses essas, que ao serem aceitas tornam-se material para estudos de outros da Área.
    A própria Bíblia, fala de DOUTORES DA LEI, será que esses são os Médicos? Engenheiros? Ou são os operadores do Direito?

    Um abraço

    Dr. Yvson

  16. 07/28/2008Hug says:

    Bom dia…Fiz Licenciatura em Ed. Física e estou habilitado a dar aula para 3º grau…será que tenho o direito e será que posso exigir as pessoas a me chamarem de “Mestre” como na época imperial? huahuahua… e cada uma que aparece nestes foruns…