Saudades do analógico
09/25/2008Outro dia encontrei uma senhora que trabalha na mesma empresa que eu. Aperreada, porque tinha esquecido de pagar sua fatura do cartão de crédito.
Sugeri um terminal de auto-atendimento, que funciona até mais tarde. “Tem umas meninas lá que podem te ajudar, dona Fulana.”
Ela me olhou meio desconsolada. “Não, meu filho… gosto não. Se for pra dar dinheiro, prefiro dar dinheiro pra gente. Gosto de perguntar sobre como foi o dia daquela pessoa, como vai a família. Aquelas máquinas estão tirando os empregos da gente.”
E, por mais que saibamos que há muito mais envolvido nos pordetrás daquelas máquinas existirem, temos que dar o braço a torcer.
Esse mundo de hoje tá cada vez mais digital e digitalizado, e nós estamos nos tornando escravos de nossas máquinas, e esquecendo de pequenos prazeres que uma vida com menos imediatismo em nossas urgências nos proporciona. Por exemplo, o sorriso de alguém que te atende em um balcão, ao invés de um código de letras e números.
Eu, que tanto amo os avanços tecnológicos, sinto falta de quando o moderno era uma câmera que avançava o filme sozinha.
Falei feito um velho.
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