Sobre titulação, pronomes de tratamento, boa educação e autoridade (ou, como podemos nos dirigir às pessoas através de seus títulos, sem esquecermos que, cada qual do seu lado, todos são pessoas, acima de tudo)

02/8/2008

Esta semana recebi um comentário, que considerei um tanto quanto arrogante, e gostaria de compartilhar com vocês, já que a referida postagem já saiu da página principal deste weblog há algum tempo.

Ei-lo. Leiam e voltem aqui nesta página para continuarmos o papo. Eu aguardo vocês.

Leram? Massa.

Então… se vocês prestarem bem atenção no que eu escrevi naquela postagem, minha intenção não era questionar o uso do pronome de tratamento “doutor” à frente do nome do sujeito “advogado”, mas sim mostrar a diferença do que havia na barriga de dois sujeitos que participavam da mesma cena: um tinha o rei, o outro tinha cocô em ebulição.

Não sei se compensa responder o “Dr. Henrique” em uma postagem, e acho que não vale o esforço, já que ele aparenta ser o mesmo tipo de pessoa que negaria uma informação a um desesperado em detrimento da forma “correta” de a ele se dirigir.

Mas, de qualquer forma, quero apenas atestar aqui que, muito embora essa lei que ele mencionou não exista (já que, na época, as leis não eram numeradas como as de hoje), existe, sim, uma lei, datada de 11 de agosto de 1827, que determina que:

Art. 9.º – Os que freqüentarem os cinco annos de qualquer dos Cursos, com approvação, conseguirão o gráo de Bachareis formados. Haverá tambem o gráo de Doutor, que será conferido áquelles que se habilitarem com os requisitos que se especificarem nos Estatutos, que devem formar-se, e sò os que o obtiverem, poderão ser escolhidos para Lentes. (sic)

Quaisquer dos cinco anos citados pela lei, referem-se a cursos de nível superior, e que, no Brasil da época, eram os de Ciências Jurídicas, Ciências Sociais, e Engenharia.

Ora, se o curso de Ciências Sociais se desmembrou alguns anos depois, e se um dos rebentos foi, justamente, o curso de Administração, que eu concluí com titulação de Bacharel em 2001, então eu também deveria ser chamado de “doutor”, correto?

A tradição e os costumes brasileiros, entretanto, mantiveram o tratamento apenas para advogados e engenheiros, e eu não me importo com isso, na verdade. Da mesma forma que, em um ambiente formal, de trabalho, onde o uso formal de formas de tratamento formais devam ser empregadas para um melhor caminhar das coisas, não me importo em chamar um advogado de doutor.

Não serei menos nem mais por isso, e nem ele será menos nem mais por isso.

O que não concordo é com o uso dessa forma de tratamento em um ambiente informal, onde, sim, ao clamar para si a pseudo-obrigação de todos de lhe chamarem de “Doutor Fulano”, o sujeito tenta se colocar acima dos demais à sua volta, garantindo para si, o status imperialista outorgado séculos atrás.

(…) creio que um pouco de conhecimento, cultura e estudo da língua portuguesa não faz mal a ninguém. (sic)

Nem humildade, “Dr. Henrique”. Nem humildade.

There are 14 comments in this article:

  1. 02/8/2008Judson Gurgel says:

    Grandes merda Dr. Henrique…

  2. 02/8/2008bony inoue says:

    Grandes merdas ser Doutor, Dr. Henrique…

  3. 02/8/2008Disraelly says:

    Tô vendo Dr. Henrique na escola: Não comia ninguém, era tronxo, usava aparelho ortodôndico e só perdeu a virgindade com uma cabra aos 22 anos. Dr Henrique na faculdade: Odiado pelos colegas, motivo de piadas pela sua arrogância e feiura, um jeca anormal filhote de goiamum no cio. Dr. Henrique hoje: virgem, fedorento e por derradeiro INCOMODADO. Agora me processe seu Fela !!!

  4. 02/8/2008Judson Gurgel says:

    Por falar em fela, o que houve com o mungu?

  5. 02/8/2008Tato says:

    Meus queridos, eu queria tentar manter a discussão sobre esse tópico dentro de alguns limites de respeito, beleza?

  6. 02/9/2008bony inoue says:

    É isso mesmo Tato, o Dr. Henrique tem que manter o respeito!

  7. 02/9/2008Disraelly says:

    Foi mal branco, é que odeio gente que se acha… Desculpe as ofensas Dr Henrique. Grandes merda esse Dr…

  8. 02/9/2008Fawller says:

    Dotô Henrique
    “[...]creio que um pouco de conhecimento, cultura e estudo da língua portuguesa não faz mal a ninguém.”
    Concordo Plenamente!
    Só preciso que, diante de tamanho conhecimento e domínio da língua portuguesa (pelo menos da forma como foi alardeado), tenhas a gentileza de explicar o significado de “[...]banca especialisada”(SIC)???

    De um outro “dotô”, Bel. em direito, especialista em direito constitucional, mestrando em direitos humanos e, quem sabe um dia, Doutor :P

  9. 02/9/2008Fawller says:

    Sacam aquela pegadinha do Luis Pareto? “Grandis merda ser ‘adevogado’. E todo ‘adevogado’ … mermo!” Nem todos, mas…

  10. 02/10/2008Brito says:

    Já cansei de discutir sobre isto e sempre vejo os que se auto-entitulam Doutor perderem a pose, quando não possuem mais argumentos para tentar enganar os que não conhecem a verdade: que Doutor é quem tem doutorado!

  11. 02/11/2008Karla says:

    bom.. assim faz-se cumprir o restante do diálogo entre Pareto e o (não posso admitir que seja) funcionário da Telerj, afinal…

  12. 02/11/2008Judson Gurgel says:

    E o mungu?

  13. 02/11/2008Tato says:

    Você tá preocupado demais com Mungú, Judson… que que você quer, hein?

  14. 02/12/2008Disraelly says:

    Fulerar…Ele quer fulerar…Esse nêgo Fela. É preto por derradeiro… A propósito, muito bem colocado futuro-doutor Fawller!!