Suas intermitências, não tão intermitentes

11/28/2007

Há duas verdades absolutas e incontestáveis. Uma, que todos nascemos. E outra, que todos morremos. É inevitável.

De quatro anos para cá venho pensando muito sobre a morte, e sobre o sentimento egoísta que temos com relação a ela.

Contemplem e raciocinem comigo: é sim, um sentimento egoísta, dos que ficam. Quem morre conclui um ciclo. Encerra sua missão terrena, e inicia outra, seja ela qual for, seja lá qual for a crença e a maneira de enxergar o pós-morte. Seja a vida eterna, seja a reencarnação. Isto me é suficiente para encarar a morte sem medo. Sei que, quando chegar minha hora, estarei preparado. Pelo menos, tento me preparar para isto todos os dias.

Espero que ninguém me interprete mal quando falo nisso. Não quero morrer. E não passo cada momento do meu dia pensando em morrer. Não é isso. Apenas vejo que a morte é algo tão natural na vida, que deveríamos encarar de maneira mais tranquila a idéia de morrer.

O problema é o trágico.

Com uma frequência não muito rara, infelizmente, pessoas que estão próximas a nós se vão de maneira súbita, repentina, inesperada, e a tristeza que em nós fica não é aquela tristeza egoísta, de simplesmente se querer a pessoa por perto, mas sim um misto com revolta. Não preciso exemplificar, nem mencionar nem nada. Cada um de vocês que chegarem a ler até aqui terão exemplos ao seu redor.

O que me fez assumir esse tipo de pensamento e gastar algum tempo de minha vida pensando na morte foi, justamente, o trágico.

De quatro anos para cá perdi pessoas muito próximas a mim, de maneira trágica. Ontem aconteceu de novo.

Acontecimentos trágicos me fazem pensar no quão frágil é, realmente, nossa existência, e de como conjuntos de carmas involuem para um fim.

Não sei que sentimentos passam pela cabeça de um sujeito que puxa um gatilho. Não sei que carmas ele carrega, e não conheço sua situação espiritual no momento em que ele decide que ele tem o direito de matar alguém. Não sei nem se há explicação para isto. O que há, apenas, é a revolta, e a tristeza advinda da lembrança de que não deveria ter sido daquela forma. Não foi justo. Não foi correto. Não foi natural.

Em momentos como este me dou o direito de odiar e de sentir pena. O cara que mata é um miserável, e não me sinto mal em tecer este julgamento.

Enfim… Uma das resoluções que tomei desde que comecei a contemplar a morte foi a de que eu nunca devo deixar pessoas por quem eu tenho estima com palavras negativas. Talvez eu nunca mais veja essas pessoas, ou talvez elas nunca mais me vejam. Não conseguiria viver com o fato de que deixei pendências que nunca mais serão resolvidas.

Neste caso em particular, não deixei. E isso, de certa forma, me tranquiliza.

There are 2 comments in this article:

  1. 11/28/2007bony inoue says:

    Não há nada que possa ser feito, que desfaça a estranha (e ás vezes dolorosa) sensação de perder alguém. Por mais distante que essa pessoa seja, ela continua sendo alguém. O lugar que ela ocupava na humanidade, nunca será suplantado: porquê substituimos muita coisa, menos pessoas.
    No máximo marcamos aquele espaço, outrora ocupado por alguém querido, com suas lembranças. E aí cabe a cada um de nós escolher quais lembranças guardar.

  2. 11/28/2007Disraelly says:

    Já senti isso pelo menos três vezes e concordo, é horrível.