Sobre titulação, pronomes de tratamento, boa educação e autoridade (ou, como podemos nos dirigir às pessoas através de seus títulos, sem esquecermos que, cada qual do seu lado, todos são pessoas, acima de tudo)
Esta semana recebi um comentário, que considerei um tanto quanto arrogante, e gostaria de compartilhar com vocês, já que a referida postagem já saiu da página principal deste weblog há algum tempo.
Ei-lo. Leiam e voltem aqui nesta página para continuarmos o papo. Eu aguardo vocês.
…
Leram? Massa.
Então… se vocês prestarem bem atenção no que eu escrevi naquela postagem, minha intenção não era questionar o uso do pronome de tratamento “doutor” à frente do nome do sujeito “advogado”, mas sim mostrar a diferença do que havia na barriga de dois sujeitos que participavam da mesma cena: um tinha o rei, o outro tinha cocô em ebulição.
Não sei se compensa responder o “Dr. Henrique” em uma postagem, e acho que não vale o esforço, já que ele aparenta ser o mesmo tipo de pessoa que negaria uma informação a um desesperado em detrimento da forma “correta” de a ele se dirigir.
Mas, de qualquer forma, quero apenas atestar aqui que, muito embora essa lei que ele mencionou não exista (já que, na época, as leis não eram numeradas como as de hoje), existe, sim, uma lei, datada de 11 de agosto de 1827, que determina que:
Art. 9.º - Os que freqüentarem os cinco annos de qualquer dos Cursos, com approvação, conseguirão o gráo de Bachareis formados. Haverá tambem o gráo de Doutor, que será conferido áquelles que se habilitarem com os requisitos que se especificarem nos Estatutos, que devem formar-se, e sò os que o obtiverem, poderão ser escolhidos para Lentes. (sic)
Quaisquer dos cinco anos citados pela lei, referem-se a cursos de nível superior, e que, no Brasil da época, eram os de Ciências Jurídicas, Ciências Sociais, e Engenharia.
Ora, se o curso de Ciências Sociais se desmembrou alguns anos depois, e se um dos rebentos foi, justamente, o curso de Administração, que eu concluí com titulação de Bacharel em 2001, então eu também deveria ser chamado de “doutor”, correto?
A tradição e os costumes brasileiros, entretanto, mantiveram o tratamento apenas para advogados e engenheiros, e eu não me importo com isso, na verdade. Da mesma forma que, em um ambiente formal, de trabalho, onde o uso formal de formas de tratamento formais devam ser empregadas para um melhor caminhar das coisas, não me importo em chamar um advogado de doutor.
Não serei menos nem mais por isso, e nem ele será menos nem mais por isso.
O que não concordo é com o uso dessa forma de tratamento em um ambiente informal, onde, sim, ao clamar para si a pseudo-obrigação de todos de lhe chamarem de “Doutor Fulano”, o sujeito tenta se colocar acima dos demais à sua volta, garantindo para si, o status imperialista outorgado séculos atrás.
(…) creio que um pouco de conhecimento, cultura e estudo da língua portuguesa não faz mal a ninguém. (sic)
Nem humildade, “Dr. Henrique”. Nem humildade.
Sobre essa postagem
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- Publicada:
- 08.02.08 / 12am
- Arquivada:
- Opinião






16 comentários
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