Obsessões de escrita

Raramente uso pontos de exclamação, pois acredito que seu uso desenfreado tira o mérito de sua ênfase principal. Uso apenas quando necessário, e quando realmente quero enfatizar algo. Portanto, os conservo. Não desvalorizo seu uso, como a maioria das pessoas.

Eu nunca escrevo “vc” ou “tbm” ou, nem mesmo “msm” ou “obg”, e confesso que não gosto quando vejo alguém usando. Ninguém, até hoje, conseguiu me convencer que é mais fácil escrever “naum” do que “não”.

Tenho evitado usar reticências. Percebi, de uns tempos para cá, que seu uso é apenas uma desculpa esfarrapada para não terminar um assunto, deixando a idéia de que se quer terminá-lo, sem, ainda assim, saber como fazê-lo. Imbecil, eu sei.

Nunca uso “a nível de” ou “para começar, eu gostaria”, ou “concluindo”. Artifícios para aumentar o número de palavras e o tamanho de um texto são vícios adquiridos em nossas escolas, culpa de professores despreparados que cobravam redações com quantidade mínima de palavras ou parágrafos ou linhas. Idéias bem desenvolvidas não significam textos longos. E textos longos podem ser exaustivamente chatos pra caralho.

Se a pontuação não for relacionada diretamente com o texto ou fragmento citado, eu sempre coloco o sinal gráfico fora das aspas.

Faço o uso correto da concordância verbo-nominal, mas acredito na manutenção do linguajar popular como forma de evolução natural do idioma, o que me deixa perfeitamente confortável para transcrever um diálogo (meu, inclusive) mantendo os devidos erros em seus lugares.

Letras maiúsculas são para início de frases, nomes próprios, e siglas.

Gosto de usar e abusar de neologismos, tanto quanto de metáforas, e não vejo problema nenhum em inserir um palavrão dentro de um texto formal, desde que seu uso seja justificável pelo contexto, pela situação, pelo desenho de palavras, e que não seja abusivo, obtrusivo, invasivo, ou qualquer outro zivo.

Assim falo, assim escrevo.

Ponto.


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