Dona Ivonete
Esse fim-de-semana eu conheci Dona Ivonete.
Ela é uma senhora simpática, de 81 anos (aparentando bons 75, diga-se de passagem), e avó de uma razoavelmente nova amiga.
Nos hospedamos na sua casa, em Caruaru, do sábado pro domingo, e passamos bons momentos conversando sobre filhos, fogos de artifício, cuscuz com carne-de-sol e nata, sobre o clima, sobre ter fé, e sobre parafusos a menos ou a mais nas cabeças das pessoas. De todas elas.
Rimos e nos emocionamos com as estórias daquela vovó, nascida no Recife, criada entre Campina Grande e Caruaru, viúva, mãe de 3 filhos, sendo um morto tragicamente num acidente de moto, aos 21 anos. Eu adoro estórias, sejam lá de que natureza forem.
Bem… No domingo pela manhã, enquanto todos os adultos que tinham passado a noite anterior comendo fondue, bebendo vinho e jogando Banco Imobiliário tinham ido dormir tarde, semi-embriagados, acontece de eu, mesmo na mesma, acordar cedo.
Resolvi levantar e tomar uma ducha fria.
Na copa, Dona Ivonete me deu um beijo, daqueles que avós dão, me chamou de lindo e me ofereceu uma xícara de café preto, que bebi enquanto conversávamos futilidades olhando uma tevê no mudo.
Bito passou por nós, me deu um “bom dia, Tato” e um abraço carinhoso, mostrando, em seguida, um cágado (é como chamamos jabuti, no Nordeste. NA.) criado por ali, solto, e correndo novamente para o quintal.
Nessa, Dona Ivonete me olha e diz “meu filho, você tem uma missão muito grande nas mãos, e eu tenho certeza que você será bem sucedido”.
De pronto eu entendi, mas acho que vocês não.
Deixa no ar, mesmo.






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