PE15 - Boa Viagem
Aquela senhora entrou no ônibus e nós nem percebemos. Quando demos fé, estava diante de nós, encarando o menino.
“É seu filho??” (?)
“É seu filho o bebê??” Assim mesmo, sem vírgulas, com questionamento enfatizado. Ela respondeu que sim.
“É seu filho??” Respondi que não.
“Mas parece!! Quer ir pra casa comigo bebê??” Ela tinha um brilho nos olhos, e um gaguejar louco e infantil na fala. Às vezes acho que há uma certa infantilidade nos loucos. O menino balança a cabeça que não.
“Você é muito lindo bebê!!” O menino sorri, encabulado e assustado. A gente se entreolha.
“Bebê tem quantos anos??” Diz que tem 8.
“O meu também tem 8 bebê!! Bebê quer ir brincar com o meu filho lá em casa??” Diz que não, com a cabeça. Assustado.
Ela se afasta e vai alugar outro no fundo do ônibus, nos desejando bons votos. Retribuídos.
Coitada.
Pedimos parada e escutamos o grito, do fundo do ônibus: “Já vai bebê??? Você é muito lindo bebê!! Não quer ir pra casa brincar com meu filho?? Ele tem sua idade bebê!!” E nos chama e nos mostra uma foto do filho dela. Dizemos que ele é lindo, e é mesmo.
Descemos sob votos de boa sorte, retribuídos, e de gritos chamando o menino de lindo.
Sobre essa postagem
Você está lendo “PE15 - Boa Viagem,” uma postagem por Thiago Pedrosa
- Publicada:
- 29.07.08 / 9am
- Arquivada:
- Estórias






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