Nostalgia foliã
No dia seguinte a cidade acordou de ressaca.
Olhou para si mesma, percebeu que havia levado uma surra. Lavou-se, penteou-se, organizou-se. Viu as coisas que havia deixado por fazer, pensou em outras para começar.
No dia seguinte à festa, a cidade sentiu-se solitária, como sempre se sente, mas feliz com suas lembranças mais recentes.
A música passou a existir nos assobios de seus transeuntes, e em aguns pólos de resistência isolada. As cores, antes enfeites, pareciam mais manchas, desbotadas pelas chuvas.
Frascos de lança perfume, goias de cigarro, água de esgoto misturada com mijo apodrecendo no meio-fio. Bêbados largados pelas praças. Restos de comida suja. O que antes foi felicidade, no dia seguinte parecia mazela.
No dia seguinte, a vida voltou ao normal.

Comentários
Ano que vem eu volto!
Que texto lindo!!