Amor e pingüins

por Thiago

Daí tem uma estória, que é meio velha. Eu nem sei se é verdade, mas é assim:

Os pingüins escolhem um parceiro para toda a vida. E há um determinado momento em que um pingüim macho está, displicentemente, mirando o horizonte infinito de branquidão gélida plus azul polar, onde aquele monte de casaquinhos pretos descansam sob o Sol, quando uma fêmea se levanta e o encara. E ele a encara. E é isso. Eles se encaram, e se encontram, e a partir daquele momento eles estarão juntos para o resto de suas vidas.

Há alguns meses atrás eu e Bebel fomos passar uma tarde em Porto de Galinhas, com o filho dela e uma amiga, e o guri levou sua prancha de skim board. É uma espécie de móribúgui, só que usa-se para deslizar sobre aquele tapetinho de água que se forma quando a onda vem e quando a onda vai.

Gabriel (não o meu Gabriel, mas o Gabriel de Isabel, com rima e tudo) surfa a skim board razoavelmente bem, para um garoto de 8 anos, e daí que nós – adultos corajosos e destemidos – resolvemos experimentar.

O primeiro fui eu.

Gabriel jogou a prancha na água e eu saí correndo, gracioso e gordo, atrás dela. Pulei em cima. Ela escorregou, e eu ralei a bunda na areia, ao som de gargalhadas bufantes e deliciosas dos expectadores.

Daí foi a vez de Bebel. Prancha deslizando n’água, e lá se vai a cabôcla, correndo com aquela elegância desengonçada que só ela tem. Pula na prancha mais parecendo que pisa em ovos. A prancha estanca na areia, e Bebel cai de cara nas profundezas daqueles 2cm de água que a separam da terra dura, com a mesma trilha sonora farfalhada que me embalou la verguenza.

Foi nessa hora que tive a certeza de ter encontrado a minha pingüim.