Carnaval 2009

por Thiago

O site Recife Rock divulgou, ontem, a programação oficial do Carnaval do Recife, para este ano de 2009, do Nosso Senhor.

Quero dizer, apenas para o pólo do Recife Antigo. Há outros 15 pólos espalhados pela cidade, já que o carnaval daqui é descentralizado.

Tem muita coisa boa, meus amigos.

A gréia, na real, já vem rolando desde dezembro, pelo menos, nas ladeiras de Olinda e imediações, e eu já andei dando umas bizoiada por lá, e lhes digo, de peito estufado: o bicho esse ano vai pegar com mais força do que em anos anteriores.

Ano passado, no encerramento na Praça do Marco Zero, calcularam cerca de 4 milão de almas, durante o show de Paralamas + Nação Zumbi. Eu tava lá, e foi catarse geral coletiva e indiscriminada.

Esse ano, bó de novo.

Nos próximos dois fins-de-semana (é assim, com hífens, na nova ortografia?) começa o terremoto, com duas das festas mais tradicionais que antecedem o carnaval propriamente dito: O “Guaiamum Treloso”, com o nosso eterno ministro Gil, e o “Enquanto isso, na Sala de Justiça…”, irreverente pacarai.

Provavelmente não irei pra nenhum dos dois, já que Glória me chama, e sou manobrado por ela.

Bloco relativamente jovem, completando 12 anos, mas que já está se tornando tradição, freqüentado (foda-se, nova ortografia!) por arquitetos, jornalistas, artistas plásticos, escritores, músicos, e maloqueiragem em geral, dará seu grito oficial no próximo sábado, na rua do Bar do Pirata, na Boa Vista, e sairá oficialmente da Rua da Guia, no Recife Antigo, na segunda-feira de Carnaval.

Não há destino certo, como também não o há para nenhum bloco ou troça que desfile durante os próximos 20 dias.

Para completar, recebi de um amigo, via email, esta semana, um Guia de Sobrevivência para o Carnaval de Pernambuco.

Como ele já havia recebido isto de outra pessoa, que recebeu de outra e de outra, e como não há autor, publico aqui, defecando e andando para os direitos autorais, até que alguém resolva se pronunciar:

Guia de Sobrevivência para o Carnaval de Pernambuco

  1. Ao encontrar algum bloco que possui boneco gigante, preste atenção nas mãos do boneco pro mode não levar uma mãozada no quengo. Embora o efeito do álcool se vá logo após a chapuletada, não é, obviamente, uma sensação agradável.
  2. Se você escutar alguém gritando “Madeeeeeeeeeeeeeeeeira”, não se assuste, pois ninguém vai ficar derrubando árvore em pleno Carnaval. É apenas algum bloco ou banda cantando o hino do bloco “Madeira do Rosarinho”, o qual você vai escutar umas 14.889 vezes por dia. Até a quarta-feira de cinzas, você saberá a letra de cor.
  3. Não se incomode se, ao seguir um bloco, a bandinha tocar sempre as mesmas músicas. Também não se incomode se, ao seguir próximo bloco que passar, a banda deste tocar as mesmas músicas que o bloco anterior tocou. O Carnaval de Pernambuco é assim mesmo, é tradição. É a época do ano que os pernambucanos se reúnem pra ouvir as mesmas dez músicas de sempre.
  4. Nem pergunte qual é o frevo novo que é a sensação deste ano. Faz tempo que isso não existe em Pernambuco. E nem invente de perguntar qual é a dança da moda. Você corre o risco de apanhar.
  5. Nunca entre em discussão com algum pernambucano sobre qual é o melhor Carnaval dentre o baiano, o pernambucano e o carioca. Vocês nunca vão chegar a conclusão alguma.
  6. Nunca pergunte pra onde um bloco está indo. Siga-o apenas. Nunca se sabe onde um bloco vai parar.
  7. Em Olinda, não se desespere se você passar horas e horas sem ver passar algum bloco de Carnaval. O bom do Carnaval olindense é a espera.
  8. Não leve carteira, relógio, telefone celular e outros pertences pra o meio da folia. O Bloco do Arrastão desfila todos os dias e a qualquer hora.
  9. Se você for homem, não fique constragido em mijar no meio da rua quando der vontade. Se assim não o fizer, vai acabar mijando nas caçolas se tentar achar um banheiro. Se você for mulher, trate logo de achar um banheiro público e entrar na fila duas horas antes de chegar a vontade de falar com o homem do bocão.
  10. No Carnaval de Olinda, se você for uma mulher bonita, correrá o risco de, sem o seu consentimento, ser agarrada, beijada, apalpada e outras coisas terminadas em “ada”. Mas, se você for uma mulher feia, é hora de aproveitar e tirar o atraso acumulado. Pois, em Olinda, vale o velho ditado: “não existe mulher feia; você é que bebeu pouco”. Vai que é tua, baranga!
  11. Outro ditado que vale no Carnaval: cu de bêbo não tem dono. Assim, vale mais usar o outro ditado “quem tem cu, tem medo” na hora de beber.
  12. Não saia cedinho de casa pra ver o desfile do Galo de Madrugada. Este bloco não desfila e nem nunca desfilou de madrugada.
  13. Em Olinda, depois de tomar todas, nunca tente subir a Ladeira da Sé à pé. Álcool só é combustível pra automóvel.
  14. Se você for pra folia de carro, prepare-se para pagar antecipadamente 10 reais ao flanelinha pra deixar o carro na rua. Além disso, prepare pra enfrentar engarrafamentos homéricos.
  15. Não fique constrangido se você estiver no meio de um bloco “lírico” e não souber o que porra é lirismo. Também não fique sem jeito se o bloco for um do tipo “bloco-de-saudade-de-velhos-carnavais” e você não estiver sentido saudade alguma. Metade dos participantes desses blocos também não sentem porra de saudade nenhuma.
  16. Se você for alérgico a mofo, passe longe dos “blocos-de-saudade-de-velhos-carnavais”.
  17. No meio desses “blocos-de-saudade-de-velhos-carnavais”, finja que sabe quem é Felinto, Pedro Salgado, Pierre, Fenelon e o velho Edgar Moraes. Assim, você se enturmará mais rápido com o pessoal. Se, por curiosidade, você perguntar quem são esses caras, provavelmente vai receber como resposta um constrangido “não sei”.
  18. Não há problema algum em não saber dançar frevo. 99% dos pernambucanos não sabem fazer o passo.

É bem verdade.

Quem tiver afim, me procure com antecedência. Devo abrir o kitchenette para visitações.