Fim de tarde, e está tudo bem.

por Thiago

O Sol, cá na cidade, castiga.

Em um dia como hoje, deve estar, tranqüilamente*, uns 35 à sombra. Mas tudo bem, eu não ligo. Muito. Minha mente está mais ocupada em observar e registrar. O calor, na real, só sinto depois que páro.

Rostos, roupas, passos, cartazes, vozes, ônibus, ruas, palavras, cenas. Em tudo o que vejo, um clique e uma anotação mental. A imaginar estórias e personagens e situações.

Aquele senhor sentado em frente a Habib’s da Conde da Boa Vista tinha os pés inchados, vermelhos. Problema de circulação, na certa. Também observando tudo, com um sorriso discreto no canto da boca.

Um rapaz que anda à minha frente, usa camiseta e boné do Sport, acompanhado por sua namorada, que carrega um instrumento musical à tiracolo. Que cena inusitada e totalmente única. Passaria desapercebida pela maioria das pessoas.

Mais adiante, um cara, provavelmente louco, passa sorrindo e cumprimentando todos que encontra na rua, inclusive eu, que finjo que nem vejo, mesmo encarando. Penso que talvez os loucos sejamos nós, que esquecemos de sorrir para os outros.

A prefeitura começou a instalar a decoração do carnaval tarde, este ano. E ainda aproveitaram os enfeites do ano passado. Depois decido se isto é bom ou ruim.

De qualquer forma, o trânsito no centro está mais caótico do que de costume. Para mim tanto faz, já que ando a pé, e a passos muito lentos.

Como ainda tenho tempo antes de bater o ponto, vou até a praça do Marco Zero. A brisa que vem do mar alivia e diminui a sensação do calor.

Alguma equipe publicitária grava algo no meio da praça. Há um casal trajado com roupas de cetim colorido, fazendo poses e cara de feliz. A mulher dança. O homem olha prá câmera. Eu faço clique.

Na pracinha em frente ao banco eu peço uma água de côco. Não está tão gelada, o que me leva a deduzir que o movimento hoje deva ter sido bom.

Também, pudera! O Sol, em um dia como hoje, castiga.

*Foda-se a reforma ortográfica!