Sou só eu

por Thiago

De tudo o que deixei pra trás quando decidi sair de Natal, o que mais me faz falta, indubitavelmente, é Gabriel.

Penso no garoto todos os dias, ao ponto de sentir seu cheirinho e ouvir seu riso no meio do nada.

Daí que, como é lógico, vez em quando ligo para Adriana só pra poder escutar a voz dele, e (putz!) com que entusiasmo ele conversa comigo ao telefone. Adriana, inclusive, já me falou que quase todos os dias ele pergunta por mim, e fala sobre mim, e às vezes pede pra ligar pra mim.

Na sexta-feira passada, no meio do trabalho, me bateu uma saudade enorme, e resolvi ligar. Quando ele pegou o telefone, foi a coisa mais bonitinha e engraçada do mundo.

“Papáái..?”
“Oi, meu amor! Tudo bom contigo?”
“Ã-rã… eu compei um aviãão e um licótópu e um licótópu e um aviãão!”
“Foi mesmo? Hmmm! Que legal!”
“Ã-rã… vô pegá!”
“…”
“Ó, papáái… táqui o aviãão e o licótópu”
(Provavelmente esfregando o helicóptero no telefone)
“Qual a cor do helicóptero, meu anjo?”
“Amálélu! E azú e amálélu e vêmelo!”
“Que lindo, meu anjo!”
“Vem bincá, papáái!”
E é nessa hora que o coração véio aperta…