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	<title>Thiago Pedrosa &#187; devaneios</title>
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		<title>Cientificamente comprovado</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 11:30:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No início do ano de 1995 eu era estudante de Agronomia na antiga ESAM, e uma das disciplinas da grade currícular tinha o pomposo nome de Entomologia e Parasitologia I, onde estudávamos os insetos e sua relação com a agricultura e pecuária. O trabalho de conclusão semestral consistia em fazer um insetário completo, em caixa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No início do ano de 1995 eu era estudante de Agronomia na antiga <a href="http://www.ufersa.edu.br">ESAM</a>, e uma das disciplinas da grade currícular tinha o pomposo nome de Entomologia e Parasitologia I, onde estudávamos os insetos e sua relação com a agricultura e pecuária.</p>
<p>O trabalho de conclusão semestral consistia em fazer um insetário completo, em caixa de madeira com tampa de vidro, e uma folha espessa de <em>isonor</em> onde os pobres insetos &#8212; depois de devidamente assassinados em um pote de Nescafé com um chumaço de algodão embebido em éter ou acetona &#8212; deveriam ser arrumados e alfinetados pelas costas, e etiquetados com o nome científico e hora e data de coleta.</p>
<p>Na coleção deveriam haver insetos de várias ordens diferentes, e eu sempre me divertia arrumando os bichinhos no <em>isonor</em>. Era como brincar com um Playmobil que já foi vivo.</p>
<p>Os mais divertidos eram os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Orthoptera">Ortopteróides</a> (grilos, esperanças, bichos-pau). Sempre ficavam bonitos depois de arrumadinhos, com as patas levemente dobradas nas juntas, antenas esticadas e, às vezes, asas abertas em posição de vôo.</p>
<p>Um belo dia consegui capturar três magníficos exemplares de Ortopteróides: um grilo, uma esperança, e um gafanhoto. Enfiei os três em vidrinhos separados, embebi os chumaços de algodão no <em>loló</em>, joguei dentro, e os deixei agonizando uma noite inteira. No dia seguinte peguei os <em>cadáveres</em>, ajeitei-lhes as patas, meti-lhes alfinetes nas costas e os preguei na caixa, devidamente etiquetados. No mesmo dia fui apresentar meu insetário ao professor, para ganhar a nota final do semestre.</p>
<p>A minha grande surpresa foi chegar lá e ver que o grilo ainda se mexia, mesmo depois de uma noite exposto ao ácido e de ter levado uma alfinetada nas costas.</p>
<p>Bizarro <em>para caralho</em>, o bicho preso no <em>isonor</em> e mexendo as patas, sem conseguir sair.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Há alguns dias houve uma grande injustiça no setor onde trabalho, e um funcionário completamente incompetente, porém <em>pelego</em> e <em>baba-ovo</em> foi preferido numa posição superior, à frente de outros que estavam se preparando havia meses, estudando e se qualificando para o cargo proposto. Dentre estes, eu.</p>
<p>Conversando com meu superior imediato, me mostrei bastante desestimulado e chateado com o ocorrido e ele me disse que não perdesse as esperanças, porque a esperança é a última que morre.</p>
<p>No que eu retruquei de pronto: &#8220;Não, chefe. O último que morre é o grilo.&#8221;</p>
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		<title>Anotações para uma vida melhor</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 10:58:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[palavras]]></category>
		<category><![CDATA[devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[Venho tentando viver minha vida de uma maneira tranqüila. Sem excessos, sem sobras, sem faltas. Vivendo com prazer, curtindo os momentos, fazendo tudo bem feito, no trabalho, em casa, no lazer. Tocando minha existência com paciência e respeito, por mim e pelo próximo. Porque eu aprendi que o stress é algo criado por nós mesmos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Venho tentando viver minha vida de uma maneira tranqüila. Sem excessos, sem sobras, sem faltas. Vivendo com prazer, curtindo os momentos, fazendo tudo bem feito, no trabalho, em casa, no lazer.<br />
Tocando minha existência com paciência e respeito, por mim e pelo próximo.</p>
<p>Porque eu aprendi que o stress é algo criado por nós mesmos. É a criatura querendo se impor sobre o criador.</p>
<p>Porque eu aprendi que sou eu que faço meus horários, e não os meus horários que me fazem. Porque eu aprendi que tudo isto aqui vai ficar, e eu vou embora. E que tudo vai passar e eu vou simplesmente passar por tudo.</p>
<p>Porque eu aprendi que por mais que se viva cada momento em sua plenitude, sempre haverá mais plenitude por se alcançar, e que devemos, portanto, apreciar cada instante que nos é concedido, por ser cada instante especial à sua maneira.</p>
<p>Porque eu aprendi que é devagar que se deve respirar, para podermos sentir o sabor do oxigênio nos limpando e nos alimentando. Porque eu aprendi que o café-da-manhã é a refeição mais gostosa do dia, e espreguiçar numa cama de manhã cedo é bom demais!</p>
<p>Porque o sorriso do meu filho, mesmo quando me acorda de madrugada pedindo por calor ou carinho ou comida, é lindo demais para me deixar chateado por acordar no meio da noite.</p>
<p>Porque agindo dessa forma, tenho a certeza de que estou fazendo o melhor por mim e por quem está comigo. Porque nunca devemos deixar as pessoas que gostamos com palavras ou atitudes negativas, porque a negatividade contagia tanto quanto a bondade, e temos o livre arbítrio de escolher que tipo de sentimento queremos passar adiante.</p>
<p>Porque eu quero. E porque eu nunca consegui me livrar do meu vício de chocolate e de café, e isto já não me perturba mais, porque eu adoro chocolate e adoro café. Porque é bom.</p>
<p>Porque eu sempre me emociono diante de uma música boa e de uma foto bonita. Porque sinto nostalgia. E simplesmente porque viver é bom, e eu quero correr toda a minha trajetória no Planeta Terra de maneira a não me arrepender de muita coisa quando eu sair daqui.</p>
<p>Busco minha evolução espiritual, pessoal, emocional, intelectual, mas não me amarro mais a clichês ou padrões, ao mesmo tempo que me rebelo apenas contra os maus sentimentos e contra as doenças e guerras e violências.</p>
<p>Não vale a pena causar a este mundo (entenda-se como lugar e pessoas formando um todo) mais mal do que já vem sendo causado. Melhor deixar uma contribuição positiva, que seja lembrada com carinho. Tenho que aprender um novo idioma. Já plantei uma árvore, já fiz um filho, e ainda não escrevi um livro.</p>
<p>Busco o fim, mas são os meios que me trarão as boas recordações.</p>
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		<title>Desculpas, desculpas.</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 16:34:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[palavras]]></category>
		<category><![CDATA[devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou em débito, e não é só com a Receita Federal. Estou em débito com este sítio, com minha fotografia, com alguns amigos, com minha namorada, e com meu filho, mas, principalmente, estou em débito comigo mesmo. Acontece de tempos em tempos, e, geralmente, consigo colocar a vida em dia rapidinho. Enquanto minha mente e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou em débito, e não é só com a Receita Federal. Estou em débito com este sítio, com minha fotografia, com alguns amigos, com minha namorada, e com meu filho, mas, principalmente, estou em débito comigo mesmo.</p>
<p>Acontece de tempos em tempos, e, geralmente, consigo colocar a vida em dia rapidinho.</p>
<p>Enquanto minha mente e meu corpo vão se acostumando com a idéia de sair do marasmo, algumas atualizações/satisfações:</p>
<p>- Continuo morando no mesmo apartamento. Essa semana me dei conta que, desde que saí da casa dos meus pais, esse é o lugar onde passei mais tempo, mas ainda não é o lugar onde consigo me sentir em casa plenamente. Provavelmente continuarei morando aqui por mais algum tempo, não sei.  E isso me remete a:</p>
<p>- Eu de Bebel ainda não estamos morando juntos. Ainda. Acontecerá, inevitavelmente, e em breve, certamente. Inadvertidamente.</p>
<p>- Na próxima semana iniciarei um curso de programação em Java, pago pelo meu empregador, que durará cerca de 3 meses. Vai ser foda, trabalhar de noite/madrugada, e estudar de manhã. Dormirei pouco mais de 4h por dia, comerei apenas 2 refeições, e ainda serei cobrado por todos os lados. Ou seja: não me pressionem a nada. Por favor.</p>
<p>- Estou renovando/vendendo/comprando alguns equipamentos. Talvez alguns projetos saiam do papel em breve. É para isso que existem os fins de semana, né?</p>
<p>- Nos últimos 2 meses comprei/peguei emprestado cerca de 10 livros. Só li um. Nunca a procrastinação foi tão latente.</p>
<p>Eu continuo sendo um cara legal, apesar de meio sumido e um tanto quanto omisso. Apenas não sei o que aconteceu, mas eu meio que perdi o fio da meada nesse lance de blogar. Até algum tempo atrás era extremamente importante, para mim, compartilhar algumas linhas de pensamento, estórias, imagens. Segundo Fawller, meu blog “ficou chato” depois que morreu como Terreiro e renasceu como eu mesmo. Talvez eu esteja, mesmo, chato, mas acreditem: todas essas coisas continuam sendo importantes para mim. Continuo escrevendo muito, e fotografando um pouco menos. Meus cadernos não me deixam mentir, e meus negativos e cartões de memória idem. Prefiro jogar a culpa na preguiça.</p>
<p>Mas vejam só… ontem consegui arrumar meu guarda-roupas, e achei até uma camiseta que pensava ter perdido há 2 anos atrás!</p>
<p>…</p>
<p>É algum progresso, vai!</p>
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		<title>PPF36</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2009 12:50:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago</dc:creator>
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		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Dia desses aí fui na Receita Federal, resolver sei-lá-o-quê. O atendimento em órgãos públicos é, público e notório, em sua maioria, um caos. Para ser atendido, é preciso pegar uma fila para pegar uma ficha numerada, e daí seguir para uma outra fila, desta vez mascarada em forma de cadeiras e painel eletrônico, nada muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dia desses aí fui na Receita Federal, resolver sei-lá-o-quê.</p>
<p>O atendimento em órgãos públicos é, público e notório, em sua maioria, um caos.</p>
<p>Para ser atendido, é preciso pegar uma fila para pegar uma ficha numerada, e daí seguir para uma outra fila, desta vez mascarada em forma de cadeiras e painel eletrônico, nada muito confortável, como é de se esperar.</p>
<p>Um senhor à minha frente olha para todos os lados, balbuciando algo inaudível, quando começa a falar alto sobre seu problema. Não fala em direção a ninguém, mas olha para todos os que estão mais próximos de si, talvez na esperança que alguém lhe dê corda para continuar o papo, o que acontece logo, claro.</p>
<p>Sua filha entrou num negócio que precisa de fiador, ou entrou como fiadora num negócio, ou tinha um negócio sem fiador. Fato que há uma diferença de 35 mirréis, que ela não recebeu, ou que pagou a maior. &#8220;É o dinheiro desse povo aqui que patrocina a farra&#8221;, gritava. Verdade.</p>
<p>Sentado ao meu lado, um casal puxa assunto com um senhor, e todos compartilham seus casos. Acabam descobrindo que conhecem o irmão de uma terceira pessoa, que mora ali no Torreão, ou em Setúbal, e as estórias compartilhadas passam para o lado pessoal.</p>
<p>As pessoas, afinal, só querem ser ouvidas. É uma necessidade de quem se vê em necessidade.</p>
<p>A atendente que me entregou a ficha mal me olhou, mal me ouviu, e me entregou um papel que diz que sou PPF36. Sabe-se lá o que isso significa.</p>
<p>O painel à minha frente mostra que estão no PPF25. Aguardo, e torço para que minha numeração seja do atendimento que eu preciso, senão terei que voltar ao início de tudo, talvez até tendo que pegar o ônibus de casa pra cá de novo, já que a atendente me disse, entre um abraço numa colega e o telefone preso entre o ombro e a cabeça, que os atendimentos de CPF são todos após as 14h.</p>
<p>Cruzo os dedos.</p>
<p>O ar-condicionado não funciona, encho minha garrafinha d&#8217;água.</p>
<p>O que será que acontece quando algum político, ou algum dos seus, precisa de atendimento num lugar como esse?</p>
<p>PPF27.</p>
<p>Com certeza não ficam monitorando sua vez num painel eletrônico, nem precisam encher garrafinhas d&#8217;água.</p>
<p>PPF28. Foi rápido, esse.</p>
<p>Todos os que chegam aqui se impressionam com a fila para pegar fila. E é um absurdo, mesmo. Eles, lá em Brasília, fingem que trabalham, e nós, aqui no país, fingimos que aceitamos. Isso é uma opinião pessoal, e não uma conversa furtada.</p>
<p>Aqui todos são iguais, pobres ou ricos, formados ou não. Gente do interior, usando roupa de missa, oficiais de justiça com maletas 007 entuiadas de papel, deficientes físicos, com uma fila especial, para pegar uma ficha de atendimento especial. Só não vejo políticos.</p>
<p>Políticos são diferentes, claro.</p>
<p>Ainda não decidi o que é que está mais quente: o ar, ou a água da minha garrafinha.</p>
<p>PPF29. Pelo que ouço de outras pessoas, o PPF é o prefixo mais demorado no painel de atendimento, e eu acredito.</p>
<p>Há uns que são acostumados a virem a lugares como esse. Vêm toda semana, ou todo dia. Conhecem porteiro, vigilante, atendente, telefonista. Conhecem bem o sistema de atendimento.</p>
<p>Engraçado.</p>
<p>Falando assim, me dou conta que, por mais que seja chamado dessa forma, não consigo me sentir atendido. Apenas despachado. Deveriam chamar despachamento.</p>
<p>Passo o tempo inventando significados para os prefixos que aparecem no painel.</p>
<p>PPF = papa-figo. PPJ = papa-jaca. MA é maranhão.ML, Mercado Livre. EP é como no vinil, e IDO deve ser o oposto de vindo. PBX é um neologismo, com certeza. Rebuxo é como teu buxo tá tão cheio que rebuxa. Meta-buxo, diriam.</p>
<p>ACN devem ser as iniciais de algum político safado. Baiano, provavelmente. Ou alagoano.</p>
<p>O que acontece quando esse painel dá uma pane? Deve ser um rebuliço do carai.</p>
<p>CDF é cu-de-ferro, lógico! Essa é fácil.</p>
<p>ACF é muito parecido com ACN&#8230; deve ser doença! &#8220;Fulano morreu de ACF&#8221;. Faz total sentido, para mim.</p>
<p>De repente me lembrei daqueles filmes antigos, com estórias passadas em alguma época medieval, e onde sempre havia um coletor de impostos, ou um xerife, que passava recolhendo o dinheiro do povo lascado, fudido, e mal pago.</p>
<p>Comparando as épocas, acho que estamos em retrocesso. De alguma forma, o coletor de impostos de outrora não parece tão assustador quando ser chamado de ACF98.</p>
<p>PPF31. Estou aqui há hora e meia, aproximadamente. Talvez eu saia antes do meio dia. De amanhã. Com sorte, ainda janto em casa na quarta-feira. Mas o que eu queria mesmo era poder tomar banho e trabalhar hoje à tarde.</p>
<p>LR eu não faço a mínima ideia do que seja. Minha criatividade já está bastante comprometida pelo calor, pela fome, e pela água quente na minha garrafinha.</p>
<p>PPF32. Mais perto que longe, segundo seu Josué.</p>
<p>Minha bunda está dormente, e não aguento mais o livrinho de palavras cruzadas. Resolvo me levantar e procurar café. De vez em quando passa alguém com um copinho de café do meu lado. Deve haver café em algum lugar por aqui.</p>
<p>PPF34. O café é de um senhor na calçada. Custa 50 centavos, mas eu tô liso. Não tirei dinheiro antes de vir pra cá. Uma vergonha, não poder tomar um cafezinho.</p>
<p>Duas horas e vinte minutos depois de eu ter chegado aqui, sou atendido pelo Carlos, ou pelo Henrique, que, em determinado momento de nosso atendimento (não consigo mesmo, me sentir atendido!), sai para buscar um formulário que vou precisar preencher em casa, e trazer aqui anda essa semana.</p>
<p>Tenho certeza que o formulário está em algum lugar próximo à garrafa de café, ou ao bebedouro d&#8217;água, ou à mesa daquela colega gostosa que o Aldair, ou Gustavo, está dando em cima. Ele diz que o formulário está &#8220;lá em cima&#8221;, provavelmente se referindo a algum andar superior, o que reforça a minha tese.</p>
<p>Já estou aqui há 15 minutos e nada do formulário chegar. Nem o Carlos, ou Aldair.</p>
<p>Ainda bem que ainda tenho uma folhinha de palavras cruzadas, e o ar está condicionado nesta sala.</p>
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		<title>Nostalgia foliã</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Feb 2009 16:50:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago</dc:creator>
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		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
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		<category><![CDATA[devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia seguinte a cidade acordou de ressaca. Olhou para si mesma, percebeu que havia levado uma surra. Lavou-se, penteou-se, organizou-se. Viu as coisas que havia deixado por fazer, pensou em outras para começar. No dia seguinte à festa, a cidade sentiu-se solitária, como sempre se sente, mas feliz com suas lembranças mais recentes. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://flickr.com/photos/tato/3309754592/"><img class="alignnone size-full wp-image-1357" title="fimdefesta" src="http://thiagopedrosa.com/wordpress/wp-content/uploads/fimdefesta.jpg" alt="fimdefesta" width="500" height="375" /></a></p>
<p>No dia seguinte a cidade acordou de ressaca.</p>
<p>Olhou para si mesma, percebeu que havia levado uma surra. Lavou-se, penteou-se, organizou-se. Viu as coisas que havia deixado por fazer, pensou em outras para começar.</p>
<p>No dia seguinte à festa, a cidade sentiu-se solitária, como sempre se sente, mas feliz com suas lembranças mais recentes.</p>
<p>A música passou a existir nos assobios de seus transeuntes, e em aguns pólos de resistência isolada. As cores, antes enfeites, pareciam mais manchas, desbotadas pelas chuvas.</p>
<p>Frascos de lança perfume, goias de cigarro, água de esgoto misturada com mijo apodrecendo no meio-fio. Bêbados largados pelas praças. Restos de comida suja. O que antes foi felicidade, no dia seguinte parecia mazela.</p>
<p>No dia seguinte, a vida voltou ao normal.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Carnaval 2009</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 11:07:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago</dc:creator>
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		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
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		<description><![CDATA[O site Recife Rock divulgou, ontem, a programação oficial do Carnaval do Recife, para este ano de 2009, do Nosso Senhor. Quero dizer, apenas para o pólo do Recife Antigo. Há outros 15 pólos espalhados pela cidade, já que o carnaval daqui é descentralizado. Tem muita coisa boa, meus amigos. A gréia, na real, já [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O site Recife Rock divulgou, ontem, a <a href="http://www.reciferock.com.br/2009/02/03/programacao-do-carnaval-2009/">programação oficial do Carnaval do Recife</a>, para este ano de 2009, do Nosso Senhor.</p>
<p>Quero dizer, apenas para o pólo do Recife Antigo. Há outros 15 pólos espalhados pela cidade, já que o carnaval daqui é descentralizado.</p>
<p>Tem muita coisa boa, meus amigos.</p>
<p>A gréia, na real, já vem rolando desde dezembro, pelo menos, nas ladeiras de Olinda e imediações, e eu já andei dando umas bizoiada por lá, e lhes digo, de peito estufado: o bicho esse ano vai pegar com mais força do que em anos anteriores.</p>
<p>Ano passado, no encerramento na Praça do Marco Zero, calcularam cerca de 4 milão de almas, durante o show de Paralamas + Nação Zumbi. Eu tava lá, e foi catarse geral coletiva e indiscriminada.</p>
<p>Esse ano, bó de novo.</p>
<p>Nos próximos dois fins-de-semana (é assim, com hífens, na nova ortografia?) começa o terremoto, com duas das festas mais tradicionais que antecedem o carnaval propriamente dito: O &#8220;Guaiamum Treloso&#8221;, com o nosso eterno ministro Gil, e o &#8220;Enquanto isso, na Sala de Justiça&#8230;&#8221;, irreverente pacarai.</p>
<p>Provavelmente não irei pra nenhum dos dois, já que Glória me chama, e sou manobrado por ela.</p>
<p>Bloco relativamente jovem, completando 12 anos, mas que já está se tornando tradição, freqüentado (foda-se, nova ortografia!) por arquitetos, jornalistas, artistas plásticos, escritores, músicos, e maloqueiragem em geral, dará seu grito oficial no próximo sábado, na rua do Bar do Pirata, na Boa Vista, e sairá oficialmente da Rua da Guia, no Recife Antigo, na segunda-feira de Carnaval.</p>
<p>Não há destino certo, como também não o há para nenhum bloco ou troça que desfile durante os próximos 20 dias.</p>
<p>Para completar, recebi de um amigo, via email, esta semana, um Guia de Sobrevivência para o Carnaval de Pernambuco.</p>
<p>Como ele já havia recebido isto de outra pessoa, que recebeu de outra e de outra, e como não há autor, publico aqui, defecando e andando para os direitos autorais, até que alguém resolva se pronunciar:</p>
<p><strong>Guia de Sobrevivência para o Carnaval de Pernambuco</strong></p>
<ol>
<li>Ao encontrar algum bloco que possui boneco gigante, preste atenção nas mãos do boneco pro mode não levar uma mãozada no quengo. Embora o efeito do álcool se vá logo após a chapuletada, não é, obviamente, uma sensação agradável.</li>
<li>Se você escutar alguém gritando &#8220;Madeeeeeeeeeeeeeeeeira&#8221;, não se assuste, pois ninguém vai ficar derrubando árvore em pleno Carnaval. É apenas algum bloco ou banda cantando o hino do bloco &#8220;Madeira do Rosarinho&#8221;, o qual você vai escutar umas 14.889 vezes por dia. Até a quarta-feira de cinzas, você saberá a letra de cor.</li>
<li>Não se incomode se, ao seguir um bloco, a bandinha tocar sempre as mesmas músicas. Também não se incomode se, ao seguir próximo bloco que passar, a banda deste tocar as mesmas músicas que o bloco anterior tocou. O Carnaval de Pernambuco é assim mesmo, é tradição. É a época do ano que os pernambucanos se reúnem pra ouvir as mesmas dez músicas de sempre.</li>
<li>Nem pergunte qual é o frevo novo que é a sensação deste ano. Faz tempo que isso não existe em Pernambuco. E nem invente de perguntar qual é a dança da moda. Você corre o risco de apanhar.</li>
<li>Nunca entre em discussão com algum pernambucano sobre qual é o melhor Carnaval dentre o baiano, o pernambucano e o carioca. Vocês nunca vão chegar a conclusão alguma.</li>
<li>Nunca pergunte pra onde um bloco está indo. Siga-o apenas. Nunca se sabe onde um bloco vai parar.</li>
<li>Em Olinda, não se desespere se você passar horas e horas sem ver passar algum bloco de Carnaval. O bom do Carnaval olindense é a espera.</li>
<li>Não leve carteira, relógio, telefone celular e outros pertences pra o meio da folia. O Bloco do Arrastão desfila todos os dias e a qualquer hora.</li>
<li>Se você for homem, não fique constragido em mijar no meio da rua quando der vontade. Se assim não o fizer, vai acabar mijando nas caçolas se tentar achar um banheiro. Se você for mulher, trate logo de achar um banheiro público e entrar na fila duas horas antes de chegar a vontade de falar com o homem do bocão.</li>
<li>No Carnaval de Olinda, se você for uma mulher bonita, correrá o risco de, sem o seu consentimento, ser agarrada, beijada, apalpada e outras coisas terminadas em &#8220;ada&#8221;. Mas, se você for uma mulher feia, é hora de aproveitar e tirar o atraso acumulado. Pois, em Olinda, vale o velho ditado: &#8220;não existe mulher feia; você é que bebeu pouco&#8221;. Vai que é tua, baranga!</li>
<li>Outro ditado que vale no Carnaval: cu de bêbo não tem dono. Assim, vale mais usar o outro ditado &#8220;quem tem cu, tem medo&#8221; na hora de beber.</li>
<li>Não saia cedinho de casa pra ver o desfile do Galo de Madrugada. Este bloco não desfila e nem nunca desfilou de madrugada.</li>
<li>Em Olinda, depois de tomar todas, nunca tente subir a Ladeira da Sé à pé. Álcool só é combustível pra automóvel.</li>
<li>Se você for pra folia de carro, prepare-se para pagar antecipadamente 10 reais ao flanelinha pra deixar o carro na rua. Além disso, prepare pra enfrentar engarrafamentos homéricos.</li>
<li>Não fique constrangido se você estiver no meio de um bloco &#8220;lírico&#8221; e não souber o que porra é lirismo. Também não fique sem jeito se o bloco for um do tipo &#8220;bloco-de-saudade-de-velhos-carnavais&#8221; e você não estiver sentido saudade alguma. Metade dos participantes desses blocos também não sentem porra de saudade nenhuma.</li>
<li>Se você for alérgico a mofo, passe longe dos &#8220;blocos-de-saudade-de-velhos-carnavais&#8221;.</li>
<li>No meio desses &#8220;blocos-de-saudade-de-velhos-carnavais&#8221;, finja que sabe quem é Felinto, Pedro Salgado, Pierre, Fenelon e o velho Edgar Moraes. Assim, você se enturmará mais rápido com o pessoal. Se, por curiosidade, você perguntar quem são esses caras, provavelmente vai receber como resposta um constrangido &#8220;não sei&#8221;.</li>
<li>Não há problema algum em não saber dançar frevo. 99% dos pernambucanos não sabem fazer o passo.</li>
</ol>
<p>É bem verdade.</p>
<p>Quem tiver afim, me procure com antecedência. Devo abrir o kitchenette para visitações.</p>
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		<title>Banho, só de cuia</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Nov 2008 05:10:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[palavras]]></category>
		<category><![CDATA[devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[Os cientistas dizem com quase unânime certeza que o grande problema dos próximos anos, décadas e séculos será lidar com a escassez d&#8217;água no planeta. Faz sentido. A quantidade d&#8217;água é a mesma desde que o mundo é mundo, desde que o tempo é tempo, e desde que tem tempo no mundo. Daí que consideremos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os cientistas dizem com quase unânime certeza que o grande problema dos próximos anos, décadas e séculos será lidar com a escassez d&#8217;água no planeta.</p>
<p>Faz sentido.</p>
<p>A quantidade d&#8217;água é a mesma desde que o mundo é mundo, desde que o tempo é tempo, e desde que tem tempo no mundo.</p>
<p>Daí que consideremos que um percentual bem grandão (que eu nem sei qual é) dessa água toda é salgada e, portanto convenhamos, não serve para o consumo. E tem mais um outro percentual que acredito que também seja grandão que está congelada nos pólos norte e sul. O que sobra é um percentual pequenininho (comparado aos outros dois grandões) de água teoricamente boa para consumo.</p>
<p>Digo <em>teoricamente</em> porque o que tem de rio, lago, lagoa, represa e córrego sujo por aí não tem nem percentual para medir. Deve ser um percentual considerável. Creio. Avalio só pelo Capibaribe. Esgoto da porra.</p>
<p>Então imaginem o que nos sobra.</p>
<p>Assustador, né?</p>
<p>O problema vai ser como tratar a água ruim, reciclar esgotos, limpar rios e etc. Há também estudos sobre a dessalinização de parte da água oceânica, marítima, e salobral que cobre boa parte desse mundo. Essa solução, que pode parecer a ideal, gera um outro problema grande: o que fazer com a porra do sal que vai sobrar nesse processo?</p>
<p>Lá em Mossoró não cabe mais.</p>
<p>Digaí&#8230; é ou não é assustador, esse nosso futuro?</p>
<p>E tipo&#8230; nem é nosso, nosso, nosso, por assim dizer. Acho que só quem vai ter problemas com isso, na vera, são nossos netos ou bisnetos. Mas isso não me tranquiliza nem um pouco, e eu continuo assustado.</p>
<p>E eu me repito essa resenha DIARIAMENTE, quando lembro que no meu prédio só tem água das 06:00 às 08:00 e das 18:00 às 22:00, e quando lembro que já faz 1 mês que não consigo lavar roupa, porque estou trabalhando e/ou dormindo justamente nesses horários.</p>
<p>Acho que isso me torna um dos menores culpados pela falta d&#8217;água dos próximos duzentos anos.</p>
<p>Agradeçam à minha síndica.</p>
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		<title>33</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 06:41:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[imagens]]></category>
		<category><![CDATA[palavras]]></category>
		<category><![CDATA[aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[devaneios]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje completo 33 anos. Queria poder olhar para trás e enxergar algo construído em minha vida, mas não posso. Os meus 33 anos estão marcados por turbulências mentais, confusões, dúvidas, e tudo o mais que deveria ter ficado lá pelos vinte e poucos. Mas, se por um lado eu me sinto completamente perdido no mundo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.flickr.com/photos/41894185936@N01/3025229116"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3019/3025229116_a9211d1256.jpg"></a></p>
<p>Hoje completo 33 anos.</p>
<p>Queria poder olhar para trás e enxergar algo construído em minha vida, mas não posso.</p>
<p>Os meus 33 anos estão marcados por turbulências mentais, confusões, dúvidas, e tudo o mais que deveria ter ficado lá pelos vinte e poucos. Mas, se por um lado eu me sinto completamente perdido no mundo, por outro eu tenho a alma calejada por algumas poucas e boas experiências vividas, e talvez isto já me baste.</p>
<p>Há muito tempo deixei de receber presentes ou festas. Nos últimos anos tenho tido, basicamente, congratulações dos meus pais e irmãos, de uma meia dúzia incompleta de 4 ou 5 amigos mais próximos, e dos colegas de trabalho que vêem a data marcada no calendário do corredor, cumprindo o protocolo corporativo.</p>
<p>Acho que é o caminho natural das coisas, afinal. Em alguns anos não terei mais meus pais e estarei aposentado, e a meia dúzia de amigos será cada vez mais incompleta.</p>
<p>Mas, de certa forma, toda vez que completo ano, espero os parabéns de algum estranho, que perceba algo diferente em meu semblante e me interrompa uma caminhada na rua dizendo &#8220;Nossa, você está com cara de quem está fazendo aniversário! Meus parabéns! Dá cá um abraço!&#8221;.</p>
<p>E sempre me entristeço quando me dou conta que isto não acontece.</p>
<p>O que espero para o daqui-em-diante?</p>
<p>Não sei. Deixei de esperar pelas coisas. Deixei de aguardar os acontecimentos e as mudanças. Vou vivendo. Cada dia de uma vez. Cada momento com seu sabor. Sem promessas nem esperanças nem expectativas &#8212; apenas conseqüências (quase sempre não) planejadas.</p>
<p>Se o futuro chegar para mim, algum dia, como chegou este hoje, voltarei a olhar para trás, como venho fazendo há 33 anos, e talvez ainda não enxergue a construção com a qual um dia sonhei, mas, com certeza, os calos estarão maiores e serão mais numerosos.</p>
<p>E talvez isto já me baste.</p>
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		<title>Vontade</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Oct 2008 19:01:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[palavras]]></category>
		<category><![CDATA[devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem, na praia, havia um senhor empinando pipa. Durante horas a fio ele rodopiou, deu rasantes, deslizou, fez manobras, ou simplesmente planou ao sabor do vento. Aquilo parecia transmilir-lhe uma paz tão grande, que cheguei a sentir inveja da pipa, e ciúmes do vento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem, na praia, havia um senhor empinando pipa.</p>
<p>Durante horas a fio ele rodopiou, deu rasantes, deslizou, fez manobras, ou simplesmente planou ao sabor do vento.</p>
<p>Aquilo parecia transmilir-lhe uma paz tão grande, que cheguei a sentir inveja da pipa, e ciúmes do vento.</p>
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		<title>Saudades do analógico</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Sep 2008 12:26:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago</dc:creator>
				<category><![CDATA[palavras]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[devaneios]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro dia encontrei uma senhora que trabalha na mesma empresa que eu. Aperreada, porque tinha esquecido de pagar sua fatura do cartão de crédito. Sugeri um terminal de auto-atendimento, que funciona até mais tarde. &#8220;Tem umas meninas lá que podem te ajudar, dona Fulana.&#8221; Ela me olhou meio desconsolada. &#8220;Não, meu filho&#8230; gosto não. Se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia encontrei uma senhora que trabalha na mesma empresa que eu. Aperreada, porque tinha esquecido de pagar sua fatura do cartão de crédito.</p>
<p>Sugeri um terminal de auto-atendimento, que funciona até mais tarde. &#8220;Tem umas meninas lá que podem te ajudar, dona Fulana.&#8221;</p>
<p>Ela me olhou meio desconsolada. &#8220;Não, meu filho&#8230; gosto não. Se for pra dar dinheiro, prefiro dar dinheiro pra gente. Gosto de perguntar sobre como foi o dia daquela pessoa, como vai a família. Aquelas máquinas estão tirando os empregos da gente.&#8221;</p>
<p>E, por mais que saibamos que há muito mais envolvido nos <em>pordetrás</em> daquelas máquinas existirem, temos que dar o braço a torcer.</p>
<p>Esse mundo de hoje tá cada vez mais digital e digitalizado, e nós estamos nos tornando escravos de nossas máquinas, e esquecendo de pequenos prazeres que uma vida com menos imediatismo em nossas urgências nos proporciona. Por exemplo, o sorriso de alguém que te atende em um balcão, ao invés de um código de letras e números.</p>
<p>Eu, que tanto amo os avanços tecnológicos, sinto falta de quando o moderno era uma câmera que avançava o filme sozinha.</p>
<p>Falei feito um velho.</p>
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