Vamos jogar um jogo?
por Thiago
Eu, papai, Gabriel e Davi inventamos um novo jogo no fim-de-semana passado. Na verdade, os garotos inventaram, e eu e old man Josh simplesmente entramos na onda.
Funciona da seguinte forma:
O campo de combate foi a piscina de casa. De um lado fiquei eu segurando Gabe, do outro, papai segurando Davi. Daí a pouco Davi soltou-se dos braços de papai e veio nadando feito cachorrinho em minha direção, e eu o peguei. Enquanto ele estava embaixo d’água e Gabriel viu que eu soltei mais meu braço, ele pulou pra cima de papai. Quando Davi viu que Gabriel não estava comigo, deu meia volta, se jogou na água e foi-se em direção ao véio Zué. Gabriel, então, pulou de volta pra mim.
Durante um bom tempo eles ficaram nessa brincadeira, de pular de um lado pro outro e se encontrarem no meio do caminho. E toda vez que eles faziam isso, começavam a rir.
Eu e papai, como é de se esperar, cansamos logo.
O mais interessante foi ver como eles criaram um jogo do nada, com pequenas regrinhas, sem sequer usar nenhum tipo de comunicação verbal. A coisa fluiu naturalmente, e eles se entenderam perfeitamente no jogo.
Eu achava que crianças só teriam capacidade de criar coisas tão elaboradas desse jeito após adquirirem uma certa capacidade de raciocínio lógico, mas estava enganado.
Ao que parece, eles conseguem compreender as regras de tudo com muito mais facilidade do que nós.
E nós deveríamos aprender isso com eles.
uma vez eu fui ver uma palestra sobre bricadeiras na aprendizagem/educação e o cara falava exatamete disso. ele contextualizou com uns lances historicos, tipo, que nas civilizações antigas, nego preservava o tempo dos reis pra que eles tivessem um horario diário para ´brincadeiras´ desde criança até adulto. teoricamente isso deveria garantir que ele se tornasse um adulto com maior capacidade de julgamento de suas ações e seus impactos, de achar soluções criativas pros problemas etc.
o cara tbm dizia que esse negócio que criamos de ´vc já esta velho para esse tipo de brincadeira´ nos torna menos capazes de agirmos como adultos.
Porra, massa! Tu lembras o nome desse cara?
Eu ouví algo do tipo em uma aula sobre educação infantil.
As crianças vêem o mundo de uma forma mais simples, e isso ajuda em quase tudo, inclusive a ser adulto.
Eu não lembro do nome do cara, não, mas ele falava sobre esse lance da simplicidade tbm.
Outra coisa interessante que ouvi la foi que somos mais felizes quando somos crianças porque temos mais facilidade de inventar uma realidade alternativa, imaginária, que é bem mais legal e divertida. Quando crescemos e perdemos isso, ficamos mais tristes, porque a vida é meio chata e não conseguimos inventar nada melhor.
Acho que isso é verdade…
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