Thiago Pedrosa

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Sou um homem feliz.

Por um lado afirmar isso me faz tremer. Acho que esse foi o primeiro ano da minha vida que comecei a me enxergar como homem adulto. Isso me dá um pouco de medo. Até pouquíssimo tempo atrás eu não conseguia me ver como adulto. Na verdade, quando desconsidero as rugas e os cabelos brancos, não vejo muita diferença na imagem refletida no espelho de hoje daquela imagem refletida há 10 anos atrás. Apenas quando abro os olhos para meu interior é que enxergo as mudanças.

Muita coisa vem acontecendo de forma muito rápida. A vida vem desenhando sua impermanência todos os dias, perante mim. Começo a perceber as vitórias e as conquistas. Começo a me preocupar com o tempo. Me sinto velho, mesmo não me enxergando como tal.

Talvez essa seja a essência dos trinta-e-tantos.

Florencia

Estávamos caminhando por uma rua próxima ao Caminito quando essa menininha chegou perto de nós, correndo, pedindo o restinho de Coca-Cola que levávamos em uma garrafa. Num primeiro instante não entendemos bem o que era, mas logo vi que aquela gracinha de olhos cor de mel era uma menina de rua.

Perguntei seu nome e ela disse “Florencia”. Pedi para fotografá-la, e ela fez uma pose meio tímida, e saiu correndo logo depois do clique, enquanto eu ainda dizia “Eres muy guapa, Florencia.”

Eu e Papai, 1976

Este à esquerda sou eu, mas hoje em dia me pareço muito mais com o cara à direita.

Feliz Dia dos Pais.