Thiago Pedrosa

Eu estou vivo

Para alguém que costumava pirar se não atualizasse meu blog com freqüência, eu terminei falhando comigo mesmo, e de alguma forma tenho demorado semanas, ou até meses, entre postagens. Não que eu não esteja compartilhando fragmentos de minha vida. Subo fotos para o Flickr quase diariamente e despejo meus devaneios e observações cotidianas para o Twitter, além de uma ou outra rede social que testo e abandono, sendo a mais recente, o Path. Mas o lugar que costumava ser meu coração e minha alma online? Necas. Acontece que antigamente nossa homepages eram os veículos de expressão que tínhamos, e hoje estamos despedaçados e espalhados na grande rede.

Eu estou disposto a voltar a documentar por aqui as coisas que ando fazendo, e os projetos nos quais venho me envolvendo, e por mais que eu já tenha prometido isso antes várias vezes, quero muito que dessa vez eu consiga fazer acontecer.

Vejamos o que acontece na seqüência.

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Sou um homem feliz.

Por um lado afirmar isso me faz tremer. Acho que esse foi o primeiro ano da minha vida que comecei a me enxergar como homem adulto. Isso me dá um pouco de medo. Até pouquíssimo tempo atrás eu não conseguia me ver como adulto. Na verdade, quando desconsidero as rugas e os cabelos brancos, não vejo muita diferença na imagem refletida no espelho de hoje daquela imagem refletida há 10 anos atrás. Apenas quando abro os olhos para meu interior é que enxergo as mudanças.

Muita coisa vem acontecendo de forma muito rápida. A vida vem desenhando sua impermanência todos os dias, perante mim. Começo a perceber as vitórias e as conquistas. Começo a me preocupar com o tempo. Me sinto velho, mesmo não me enxergando como tal.

Talvez essa seja a essência dos trinta-e-tantos.

Espelho retrovisor

Um belo dia, ouvindo uma rádio qualquer, você escuta uma canção de uma banda, e acha o som massa. O locutor te apresenta a essa banda, e você meio que começa a curtir toda vez que outra canção deles é anunciada na rádio, e você começa a ler sobre essa banda em revistas de música.

Um amigo seu tem uma fita K7 que foi reproduzida de uma outra fita de outro cara que gravou do CD de alguém que o vizinho dele conhece. Você reproduz essa fita, e passa a escutá-la sempre, até que um belo dia, quando você tem um pouco de grana sobrando, você compra um CD original dessa banda. Talvez até uma camiseta.

Sua vida segue. Você faz novos amigos, arruma uma namorada, descobre novas bandas, compra novos CDs. Você arruma um emprego, amores vêm e vão, você se muda de uma cidade para outra e para outra, você tem um filho. E continua ouvindo aquela banda que descobriu na rádio, mesmo que ela não esteja mais no foco da mídia. Você ouve simplesmente por que curte o som deles, se identifica com suas letras.

Cada álbum por eles lançado foi ouvido em um período diferente da sua vida. Cada canção embalou algum acontecimento. E de repente você se dá conta que se passaram 20 anos desde que você descobriu aquela banda, e que a música deles é a música da sua vida não por que você é um fã acéfalo, mas por que a trilha sonora dos últimos 20 anos de sua vida foram suas canções, seus acordes, suas palavras.

Hoje eu fui assistir PJ20, e não é simplesmente um documentário contando a história de uma banda que eu descobri em 1992, em uma rádio de Hamden-CT. É o filme de tudo o que eu ouvi durante os últimos 20 anos, e de boa parte da formação de quem sou hoje.

Durante o filme eu tive, novamente, 16 anos. E a cada cena fui crescendo até chegar aos meus 35 anos de hoje.

E minha vida segue, talvez por mais outros 20 anos.

Que bom que a música tem sido tão boa.